quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Insight
É interessante...
Depois de 5 anos sem assistir a uma novela, interessei-me pelo Caminho das Índias...afinal, foi lá, nesse território, que há mais de 5000 anos, nasceu a filosofia , o estilo de vida, que adotei pra mim.
É voz corrente, que o amor a tudo cura, transforma, faz crescer , evoluir... Assisti a uma cena, impactante, emocionante, linda: a personagem, Maya, uma jovem indiana, quando toma ciência de que o homem que ela ama, Bahuan, é um intocável¸ alguém que você não pode tocar, nem ser tocado, nem mesmo por sua sombra, sob pena de tornar você impuro e também contaminar outros...
A princípio, Maya sentiu-se traída, enganada, pois acreditada que o seu amor pertencesse à mais alta casta, a dos brâmanes, mas ... ao ver o sofrimento do amado e toda a culpa que ele suportava, a mágoa, a raiva e o medo se foram e deram lugar ao amor e a compaixão, que tomaram conta de seu coração e afastaram tudo que era dogma, superstição, crença, maldição, preconceito... instalando-se a razão verdadeira, aquela que vem do das entranhas e do coração. Perdoando-o, decidiram fugir, para estarem juntos e morarem num lugar do mundo onde ” não existem castas...”, os EUA.
Quem conhece o sistema de castas, que ainda existe na Índia, apesar da lei que o proíbe, sabe o quão é terrível. Os intocáveis não são considerados uma casta. Assemelham-se a poeira na qual pisa Brahma, o criador. Segundo a crença, esse tipo de ser, nasceu para executar o serviço sujo, como cremar os mortos e limpar seus restos, limpar os esgotos, o lixo - e tudo o que toca torna impuro. Se alguém, de qualquer casta, for tocado apenas por sua sombra, deve ser purificado por um sacerdote, um brâmane. Se alguém tocar um intocável, por vontade, é amaldiçoado por sua família e banido dela e de seu povo, tendo que viver com o intocável , se tornando um deles.
Mas o amor de Maya o tornou puro, aos olhos dele próprio, e ela o amou, verdadeiramente, como o amou seu pai adotivo, um brâmane, que o tirou do lixo, quando era ainda uma criança inocente e criou-o e educou-o como a um brâmane.
Isso tudo parece apenas mais uma estória de Romeu & Julieta, se não fosse o insight que tive.
Volto a dizer: É voz corrente, que o amor a tudo cura, transforma, faz crescer , evoluir...
Em qualquer de suas formas, o amor é libertador é o nosso salvador é o que nos liberta da ignorância, do obscurantismo.
O amor, em qualquer de suas formas, nada mais é do que a manifestação incontrolável da kundaliní, a energia vital, a energia genésica, da libido, do tesão, a energia que cria mundos, que faz com que uma mulher e um homem criem um novo ser a partir deles, aquela energia que não tem controle, a indomável força da natureza.
O amor e a força da mãe, que protege seu filho e o salva de um perigo iminente, garantindo a preservação da sua espécie; o amor de Maya por Bahuan e o seu destemor perante toda uma sociedade de castas, garantindo assim a preservação de uma nova espécie de seres humanos, mais lúcidos, menos místicos; o amor de um amigo a outro, ao dar a sua própria vida para defendê-lo, garantindo assim, a preservação da vida de seres leais...pois sabe, que a recíproca é verdadeira; o amor puramente libidinoso, que só se permite viver, aquele ser livre de medo, vergonha, preconceito, que se aceita e se ama, tal qual é, vivendo sua sexualidade plenamente, amorosamente, afetivamente, respeitosamente, éticamente, discretamente, garantindo assim, com seu exemplo de vida honesta, proba e verdadeira, a preservação de seres humanos confiáveis, dignos, pró-ativos, saudáveis, prósperos e felizes.
A força da kundaliní é avassaladora, incontrolável, indomável, mas administrável, por meio do bom caráter e dos bons princípios, que norteiam a vida dos seres lúcidos, e por isso, livres, que habitam a Terra.
Porém, essa mesma força, indomável, faz dos neuróticos e reprimidos, um perigo social, em todos os setores da vida: no afetivo, a carência, a insegurança, a timidez, o orgulho, frutos da baixa auto-estima, cria invejosos; no sexual, os mais variados tipos de perversões; no familiar, o autoritarismo repressor ou a negligência, mascarada de liberalidade; no profissional, os crimes de assédio moral e sexual, as intrigas, fofocas, armadilhas dos invejosos e incapazes; no social, as várias espécies de psicopatias, fobias e que tais; no religioso, o fanatismo, que cria seitas que subjugam seus semelhantes; nos esportes, a violência, o doping; na política e na polícia, a corrupção; nas artes, as mais variadas formas de aquisição de estados de consciência por meio de drogas alucinógenas e a prostituição no seu pior sentido da palavra...

2 comentários:

Herr Schwartz disse...

Nosso amor sempre nos libertará! Lindo texto... obrigado por acreditar tanto assim nesse amor que transforma.. sou prova cabal disso. te amo! te amo! para sempre! beijos,

Anônimo disse...

Nosso amor é o amor que transforma o amor em samádhi...