É voz corrente, que o amor a tudo cura, transforma, faz crescer , evoluir...
Assisti a uma cena, impactante, emocionante, linda: a personagem, Maya, uma jovem indiana, quando toma ciência de que o homem que ela ama, Bahuan, é um intocável¸ alguém que você não pode tocar, nem ser tocado, nem mesmo por sua sombra, sob pena de tornar você impuro e também contaminar outros...
A princípio, Maya sentiu-se traída, enganada, pois acreditada que o seu amor pertencesse à mais alta casta, a dos brâmanes, mas ... ao ver o sofrimento do amado e toda a culpa que ele suportava, a mágoa, a raiva e o medo se foram e deram lugar ao amor e a compaixão, que tomaram conta de seu coração e afastaram tudo que era dogma, superstição, crença, maldição, preconceito... instalando-se a razão verdadeira, aquela que vem do das entranhas e do coração. Perdoando-o, decidiram fugir, para estarem juntos e morarem num lugar do mundo onde ” não existem castas...”, os EUA.
Quem conhece o sistema de castas, que ainda existe na Índia, apesar da lei que o proíbe, sabe o quão é terrível. Os intocáveis não são considerados uma casta. Assemelham-se a poeira na qual pisa Brahma, o criador. Segundo a crença, esse tipo de ser, nasceu para executar o serviço sujo, como cremar os mortos e limpar seus restos, limpar os esgotos, o lixo - e tudo o que toca torna impuro. Se alguém, de qualquer casta, for tocado apenas por sua sombra, deve ser purificado por um sacerdote, um brâmane. Se alguém tocar um intocável, por vontade, é amaldiçoado por sua família e banido dela e de seu povo, tendo que viver com o intocável , se tornando um deles.
Mas o amor de Maya o tornou puro, aos olhos dele próprio, e ela o amou, verdadeiramente, como o amou seu pai adotivo, um brâmane, que o tirou do lixo, quando era ainda uma criança inocente e criou-o e educou-o como a um brâmane.
Isso tudo parece apenas mais uma estória de Romeu & Julieta, se não fosse o insight que tive.
Volto a dizer: É voz corrente, que o amor a tudo cura, transforma, faz crescer , evoluir...
Em qualquer de suas formas, o amor é libertador é o nosso salvador é o que nos liberta da ignorância, do obscurantismo.
O amor, em qualquer de suas formas, nada mais é do que a manifestação incontrolável da kundaliní, a energia vital, a energia genésica, da libido, do tesão, a energia que cria mundos, que faz com que uma mulher e um homem criem um novo ser a partir deles, aquela energia que não tem controle, a indomável força da natureza.
O amor e a força da mãe, que protege seu filho e o salva de um perigo iminente, garantindo a preservação da sua espécie; o amor de Maya por Bahuan e o seu destemor perante toda uma sociedade de castas, garantindo assim a preservação de uma nova espécie de seres humanos, mais lúcidos, menos místicos; o amor de um amigo a outro, ao dar a sua própria vida para defendê-lo, garantindo assim, a preservação da vida de seres leais...pois sabe, que a recíproca é verdadeira; o amor puramente libidinoso, que só se permite viver, aquele ser livre de medo, vergonha, preconceito, que se aceita e se ama, tal qual é, vivendo sua sexualidade plenamente, amorosamente, afetivamente, respeitosamente, éticamente, discretamente, garantindo assim, com seu exemplo de vida honesta, proba e verdadeira, a preservação de seres humanos confiáveis, dignos, pró-ativos, saudáveis, prósperos e felizes.
A força da kundaliní é avassaladora, incontrolável, indomável, mas administrável, por meio do bom caráter e dos bons princípios, que norteiam a vida dos seres lúcidos, e por isso, livres, que habitam a Terra.
Porém, essa mesma força, indomável, faz dos neuróticos e reprimidos, um perigo social, em todos os setores da vida: no afetivo, a carência, a insegurança, a timidez, o orgulho, frutos da baixa auto-estima, cria invejosos; no sexual, os mais variados tipos de perversões; no familiar, o autoritarismo repressor ou a negligência, mascarada de liberalidade; no profissional, os crimes de assédio moral e sexual, as intrigas, fofocas, armadilhas dos invejosos e incapazes; no social, as várias espécies de psicopatias, fobias e que tais; no religioso, o fanatismo, que cria seitas que subjugam seus semelhantes; nos esportes, a violência, o doping; na política e na polícia, a corrupção; nas artes, as mais variadas formas de aquisição de estados de consciência por meio de drogas alucinógenas e a prostituição no seu pior sentido da palavra...